Reforma tributária evidencia que fidelidade política não depende de cargos

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O resultado da votação da proposta de emenda constitucional da reforma tributária revelou que alguns partidos que compõem o governo ainda não estão totalmente alinhados com as demandas do Congresso, apesar dos cargos ocupados no primeiro escalão. Esse cenário é mais evidente na Câmara dos Deputados.

Um exemplo é o partido União Brasil, que possui três membros no governo, mas obteve apenas 75% dos votos favoráveis da bancada na aprovação da PEC. A legenda, formada pela fusão do Democratas (antigo PFL) com o PSL, responsável pela eleição de Jair Bolsonaro à Presidência em 2018, continua dividida nas votações. O próximo teste para o partido será no Senado, e um voto contrário ao governo é garantido por parte de Sergio Moro (PR). Os demais dependerão da influência de Davi Alcolumbre (AP), responsável pelas indicações políticas feitas pelo partido no governo.

Por sua vez, o partido Republicanos, que inclui o governador Tarcísio de Freitas (SP) e os senadores Hamilton Mourão (RS) e Damares Alves (DF), todos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, teve 88% de sua bancada de 41 deputados votando a favor da proposta. Embora controlado pela Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo bispo Edir Macedo, o partido já foi aliado em governos petistas, mas tem mostrado resistência em aceitar convites do governo para compor sua base.

Fonte: diariodepernambuco

No entanto, essa situação pode mudar, conforme indicou o ministro responsável pela articulação política do governo, Alexandre Padilha, ao anunciar na sexta-feira que o Palácio do Planalto está aberto a novas adesões à base governista. Além disso, Edir Macedo tem feito visitas a Brasília com o objetivo de se reaproximar do governo.

Enquanto o partido do governo, o PT, que possui a segunda maior bancada na Câmara com 68 deputados, obteve 96% dos votos a favor da reforma — com apenas três parlamentares ausentes —, o PL de Bolsonaro sofreu a maior derrota na votação. Mesmo sendo a maior bancada da Casa, com 99 parlamentares, o partido orientou pela rejeição do projeto, mas não conseguiu unanimidade.

Mais de 25% dos membros do partido não seguiram a orientação da liderança. No primeiro turno da votação da reforma, foram registrados 20 votos favoráveis, além de sete abstenções durante a sessão. Proporcionalmente, o partido apresentou a maior falta de fidelidade e terminou a semana em uma posição mais enfraquecida.

Fonte: Wiki

Para complicar ainda mais a situação, durante a reunião do partido que contou com a presença de Tarcísio, o governador de São Paulo foi hostilizado, inclusive pelo próprio Bolsonaro. O presidente cobrou dele uma fidelidade inabalável à causa da oposição e o classificou como “inexperiente” em política. A agressividade dos seguidores radicais do ex-presidente sinaliza um afastamento do Republicanos, que já está fazendo movimentos em direção ao governo.

Um dos indícios disso foi o comentário do presidente do partido, deputado Marcos Pereira (SP), sobre a recepção de Tarcísio pelo PL. Ele afirmou: “Os episódios de hoje (quinta-feira) não isolam Bolsonaro, pois ele já se isolou e continua se isolando devido ao seu próprio comportamento. Ele entregou a eleição para Lula por causa de seu comportamento”. Pereira expressou críticas em relação ao presidente e indicou uma possível ruptura entre o Republicanos e o governo.